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sábado, 23 de junho de 2012

Ser Pastor


SER PASTOR (Wagner A. Araújo)

Pr. Wagner Antonio de Araújo

Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP

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Qual o sentido dessa palavra? Ser pastor! Uma afirmação tão pequena, mas repleta de tanto significado!

Ser pastor é muito mais que ser um pregador. Está além de ser um administrador de igreja. Muito além de professor ou conferencista. Ser pastor é algo da alma, não apenas do intelecto.

Ser pastor é sentir paixão pelas almas. É desejar a salvação de alguém de forma tão intensa, que nos leve à atitude solidária de repartir as boas-novas com ele. É chorar pelos que se mantém rebeldes. É pensar no marido desta irmã, no filho daquela outra, na esposa do obreiro, nos vizinhos da igreja, nos garotos da rua. Ser pastor é tudo fazer para conseguir ganhar alguns para Cristo.

Ser pastor é festejar a festa da igreja. É alegrar-se com a alegria daquele que conquista um novo emprego, daquele que gradua-se na faculdade, daquele que recebe a escritura da casa própria ou do outro que recebeu alta no hospital. Ser pastor é ter o brilho de alegria ao ver a felicidade de um casal apaixonado, ao ver o sucesso na vida cristã de um jovem consagrado, é festejar a conversão de um familiar de alguém da igreja por quem há tempos se vinha orando. Ser pastor é desejar o bem sem cobiçar para si absolutamente nada, a não ser a felicidade de participar dessa hora feliz.

Mas ser pastor também é chorar. Chorar pela ingratidão dos homens. Chorar porque muitas vezes aqueles a quem tanto se ajudou são os primeiros a perseguirem-nos, a esfaquearem-nos pelas costas, a criticarem-nos, a levantarem falso testemunho contra a igreja e contra nós. É chorar com os que choram, unindo-nos ao enlutado que perdeu um ente querido, é dar o ombro para o entristecido pela perda de um amor, é ser a companhia do solitário, é ouvir a mesma história uma porção de vezes por parte do carente. Chorar com a família necessitada, com o pai de um drogado, com a mãe da prostituta, com a família do traficante, com o irmão desprezado.

Ser pastor é não ter outro interesse senão o pregar a Cristo. É não se envolver nos negócios deste mundo, buscando riquezas, fama e posição. É saber dizer não quando o coração disser sim. É não ir à casa dos ricos em detrimento dos pobres. É não dar atenção demasiada para uns, esquecendo-se dos outros. É não ficar do lado dos jovens, em detrimento dos adultos e vice-versa. Ser pastor é não envolver-se em demasia com as pessoas, ao ponto de se perder a linha divisória do amor e do respeito, do carinho e da disciplina. Ser pastor é não aceitar subornos nem tampouco desprezar os não expressivos.

Ser pastor é ser pai. É disciplinar com carinho e amor, conquanto com a firmeza da vara, da correção e, não raras vezes, da exclusão de pessoas queridas. É obedecer a Bíblia, não aos homens. É seguir a Deus, não ao coração. Ser pastor é ser justo. Ser pastor é saber dizer não, quando a emoção manda dizer sim. Ser pastor é ter a consciência de não ser sempre popular, principalmente quando tiver que tomar decisões pesadas e difíceis, e saber também ser humilde quando a bênção de Deus o enaltecer diante do rebanho e diante do mundo. Os erros são nossos, mas a glória é de Deus.

Ser pastor é levantar-se quando todos estão dormindo e dormir quando todos estão acordados, socorrendo ao necessitado no horário da necessidade. Ser pastor é não medir esforços pela paz. É pacificar pais e filhos, maridos e esposas, sogros e genros, irmãos e irmãs. Ser pastor é sofrer o dano, o dolo, a injustiça, confiando nAquele que é o galardoador dos que o buscam. Ser pastor é dar a camisa quando lhe pedem a blusa, andar duas milhas quando o obrigam a uma, dar a outra face quando esbofeteado.

Ser pastor é estar pronto para a solidão. É manter-se no Santo dos Santos de joelhos prostrados, obtendo a solução para os problemas insolúveis. Ser pastor é não fazer da esposa um saco de pancadas, onde descontar sua fragilidade e cansaço. Ser pastor é ser sacerdote, mantendo sigilo no coração, mantendo em segredo o que precisa continuar sendo segredo, e repartindo com as pessoas certas aquilo que é "repartível". Ser pastor é muitas vezes não ser convidado para uma festa, não ser informado de uma notícia ou ser deixado de fora de um evento, e ainda assim manter a postura, a educação, o polimento e a compaixão. Ser pastor é ser profeta, tornar o seu púlpito um "assim diz o Senhor", uma tocha flamejante, um facho de luz, uma espada de dois gumes, afiada e afogueada, proclamando aos quatro ventos a salvação e a santificação do povo de Deus.

Ser pastor é ser marido e ser pai. É fazer de seu ministério motivo de louvor dentro e fora de casa. É não causar à esposa a sensação de que a igreja é uma amante, uma concorrente, que lhe tira todo o tempo de vida conjugal. Ser pastor é amar aos seus filhos da mesma forma que ensina aos pais cristãos amarem aos seus. É olhar para os olhos de seus filhos e ver o brilho de seus próprios olhos. É preocupar-se menos com o que os outros vão pensar e mais no que os filhos vão aprender, sentir e receber. É ver cada filho crescer, dando a cada um a atenção e o amor necessários. É orgulhar-se de ser pai, alegrar-se por ser esposo, servir de modelo para o povo. E, quando solteiro, tornar a sua castidade e dignidade modelo dos fiéis, enaltecendo ao Senhor, razão de sua vida.



Ser pastor é pedir perdão. Se os pastores fossem super-homens, Deus daria a tarefa pastoral aos anjos, mas preferiu fazer de pecadores convertidos os líderes de rebanho, pois, sendo humanos, poderiam mostrar aos demais que é possível ser uma bênção. Mas, quando pecarem, saberem pedir perdão. A humildade é uma chave que abre todas as portas, até as portas emperradas dos corações decepcionados. A humildade pode levar o pastor à exoneração, como prova de nobresa e integridade, como pode fazê-lo retomar seus trabalhos com maior pujança e vigor. Há pecados que põem fim a um ministério e ser pastor é saber quando o tempo acabou. Recomeçar é possível, mas nem sempre. Ser pastor é saber discernir entre ficar ou sair, entre continuar pastor e recolher-se respeitosamente.

Ser pastor é crer quando todos descrêem. Saber esperar com confiança, saber transmitir otimismo e força de vontade. É fazer de seu púlpito um farol gigantesco, sob cuja luz o povo caminha sempre em frente, para cima e em direção a Deus. Ser pastor é ver o lado bom da questão, é vislumbrar uma saída quando todos imaginarem que é o fim do túnel. Ser pastor é contagiar, e não contaminar. Ser pastor é inovar, é renovar, é oferecer-se como sacrifício em prol da vontade de Deus. Ser pastor é fazer o povo caminhar mais feliz, mais contente, é fazer a comunidade acreditar que o impossível é possível, é fazer o triste ser feliz, o cansado tornar-se revigorado, o desesperado ficar confiante e o perdido salvar-se. As guerras não são ganhas com armas, mas com palavras, e as do pastor são as palavras de Deus, portanto, invencíveis.

Ser pastor é saber envelhecer com dignidade, sem perder a jovialidade. É ser amigo dos jovens e companheiro dos adultos. Ser pastor é saber contar cada dia do ministério como uma pérola na coroa de sua história. Ser pastor é ser companhia desejada, querida, esperada. É saber calar-se quando o silêncio for a frase mais contundente, e falar quando todos estiverem quietos. Ser pastor é saber viver. Ser pastor é saber morrer.

E quando morrer, deixar em sua lápide dizeres indeléveis, que expressem na mente de suas ovelhas o que Paulo quis dizer, quando estava para partir: "combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé". Ser pastor é falar mesmo depois de morto, como o justo Abel e o seu sangue, através de sua história, de seu exemplo, de seus escritos, de suas gravações. Ser pastor é deixar uma picada na floresta, para que outros venham habitar nas planícies conquistadas para o Reino do Senhor. Ser pastor é fazer com que os filhos e os filhos dos filhos tenham um legado, talvez não de propriedades, dinheiro ou poder político, mas o legado do grande patriarca da família, daquele que viveu e ensinou o que é ser um pastor.

Eu sou pastor.

Obrigado, Senhor!

Pr. Wagner Antonio de Araújo

Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP

O Menino Estudante e o Ouricuri

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Menino estudante.

Caderno na mão, lápis no bolso,

Ele ia caminhando pelo caminho areado.

Chupando ouricurí cajú e muricir.

Arrastando a sandália preta na areia úmida.

O verde Das árvores me seguia,

E ele caminhava sentindo o cheiro,

O cheiro de mato verde.

Cobras, preás, formigas-congas, pássaros.

O menino caminhava para a escola.

Fim de tarde, lá vem ele.

Passava embaixo do arame farpado,

Encurtava o caminho pra casa.

Ia colhendo os ouricuris já seco no chão.

Pá, pá, pac! A pedra batia, abria o ouricuri.

Pegava a baga e comia.

Outro ouricuri. Pá, pá, pac, quebrava-se.

Está nascido! Um sabor adocicado.

O tempo se passou, nunca mais quebrei ouricuri,

Nem sentir o cheiro do mato verde.

Nunca mais o barulho Das areia mugindo,

Nem o barulho do quebra- quebra ouricuri.

Há! Que saudade do pé de muricir,

Do ouricuri maduro e seco. Do pá, pá pac.

Que saudade do quebra- quebra licurir.

Os amigos se reuniam ao por do sol,

Para quebrar os coquinhos e comer a bága.

(DenivalMaias


sábado, 19 de maio de 2012

POEMAS

Suspiro

Quando minha alma negra viaja

pelos vales secos

se enche de versos

O meu nobre ser se dilata

sobre a chapa quente da paixão

Me leva pra longe, longe,

e mais longe

O sono vem, e eu adormeço lentamente,

Intensamente repouso-me sobre versos

Minha alma se perde

e vai se perdendo lentamente

na fria escuridão dos dias de sol anoitecidos

que avassala a alma

Arrebentada de tanta saudade

Daí minha alma adormece

enquanto grita num desejo orbitante

De encontrar os sonhos na dança da vida


(DenivalMatias)

CRÔNICA DE FORMATURA

.

Na noite as vuvunzelas tocaram alto, as mãos aplaudiram,os amigos se abraçaram num abraço bem abraçado. Caminho longo, mas não distante, perto, foi ontem o dia que resumiu uma jornada em busca de mais um pouco de saber, o caminho estar agora com as trancas abertas para que possamos continuar a perseguir outros sonhos,que até ontem fugia da realidade do tempo, chegou, conseguimos.

O sol ainda com o brilho tranquilo do amanhecer acariciou a minha derme depois que os meus olhos acordaram e viram na antiga gaveta um canudo com minha fotografia e a um diploma estendido ao lado. Ainda no ninho de amor vejo meu anjo que esteve ao meu lado nesta caminhada, minha esposa, minha amada.

O sabor da conquista ainda parece um sonho e não sei quando vou acordar, nem sei se quero. Melhor emendar a outros sonhos e seguir os passos dos desafios que a vida generosamente esparrama sobre as pautas já escritas de um ser ainda muito raso. O capelo sobre a cabeça, que inquietamente, incessantemente, preocupou-se em fazer certo o que precisava ser uma faixa cor de sangue abaixo do peito talvez indique que nós nunca estaremos cheio completamente, mas é bom estarmos acima da metade perto do coração. Na mão que tanto lutou o selo da conquista, um anel de ouro envolto no dedo retrata a grandiosidade do momento e das conquistas infinitas que alcançaremos no seguir da caminhada. Amigos de todos os graus, de perto, de longe, de muito longe de perto, de pertinho, mas, todos do peito e as lágrimas batiam o tempo todo à porta dos olhos e se contentavam em festejar um dos momentos únicos na vida daquele estudante da vida, que filosoficamente se debruça sobre o encantamento do aprendizado, e se deslumbra com a superação das dificuldades.

Celebremos! Celebremos juntos, todos de pensamentos interligados pelo menos naquele instante, na certeza que conseguimos subir mais um degrau na escada das experiências do saber. E quase nada fica para trás, ao seguirmos nesta caminhada, com certeza a vida exigirá que sigamos com toda nossa bagagem adquirida neste compasso de uma trajetória que se funde à nossa história

As palavras, os versos de um poema, as simples explicações, as explanações comparativas, as análises do que estar por vir parece minúsculos diante do que existe dentro de cada um dos formados

No palco das apresentações, um espelho que refletiu nossos comportamentos durante a nossa andância pela universidade ali, centenas de pessoas estavam atentas aos movimentos da dança da conquista. Era uma coreografia de mais um sonho realizado, e o intelecto recheado de expectativa, e a alma adocicada pelo momento em sermos amante do saber, ou simplesmente filósofos.

A teia tecida com os mais diversos fios dos saberes, folcloricamente ligados feito fuxico costurado, pintado feito aquarela, trançados feito planta trepadeira, com os ramos esparramados sobre o vale da interdisciplinaridade humana.

Os laços de nó apertados, afroxa as virtude fraternal que sucumbe o egoísmo que grudava feito garra - picho na roupa da alma, sacudimos até se soltar e arribamos feito pássaro ao encontro de mais emoções na dança diacrônica da vida de estudante que se eternizará num vaso raro que estará sempre aberto se enchendo dos pingos do saber que gotejam , da chuva torrencial ou da brisa mansa que cai na solidão das madrugadas geladas.

A tenda humana do coração, estendidas à humanidade quase sempre deixando seme- aberto a comporta para que os rios se compartilhem formando um mar gigantesco, onde gerações sejam alimentadas pelos resquícios trazidos pela água do aprendizado nas vielas da história e se misturem aos córregos dos dons e alcance a existência antropocêntrica.

Encontros e desencontros, caminhos e descaminhos, onde se bebe águas doces e salobras, algumas coisas teremos de vomitar a fim de não contaminar a nascente do rio outra degustaremos mesmo sendo amargas como fel ao atingir nosso íntimo. São as pedras que por certo encontraremos no meio dos caminhos.

(...)